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Desafios Diários

Tomar banho:
A pessoa com demência pode esquecer-se de se lavar e não reconhecer a necessidade do banho. Pode ter dificuldade em lavar certas partes do corpo por causa de algum impedimento físico. Pode não saber mais manejar as torneiras ou mesmo cumprir as etapas do banho (tirar a roupa, abrir a torneira, pegar o sabonete, etc.)

Possíveis soluções:
Tente estabelecer ou manter uma rotina para o banho. Será preciso ter muito “jeito”. Em vez de mandar que ele se lave, será melhor enfatizar os aspectos mais agradáveis, o conforto da água morna, o sabonete perfumado, e assim por diante. Talvez seja preciso dizer, passo a passo, o que fazer, tomar banho junto ou escovar os seus próprios dentes para demonstrar. Você pode precisar ajudá-lo a fazer a ou supervisionar as atividades devido a dificuldades físicas ou riscos de acidentes. As dificuldades serão maiores para o cuidador se a pessoa idosa for gorda ou pesada e precisar ser levantado. Procure instalar barras de apoio próximas ao chuveiro, bem como tapete de borracha para diminuir o risco de quedas.

Usando o vaso sanitário:
A pessoa com demência pode esquecer-se de ir ao banheiro, o que pode causar incontinência ou prisão de ventre. Pode esquecer onde fica o banheiro, mesmo na sua própria casa. Pode ter problemas para abrir a roupa a tempo. À noite, pode se perder no escuro ou confundir outro objeto com o vaso sanitário (cesta de lixo, por exemplo).

Possíveis soluções:
À intervalos regulares lembre-o de suas necessidades fisiológicas ou leve-o ao banheiro. Coloque uma placa na porta (recorte uma figura de revista). Simplifique a roupa para evitar fechos e botões complicados. Leve-o antes de dormir. Deixe uma luz acesa com lâmpada de baixo consumo. Um banquinho com urinol ao lado da cama pode ajudar.

Cozinhar:
Os problemas são mais graves se o paciente morar sozinho. A habilidade de cozinhar, mesmo refeições mais simples, será perdida. Comprar comida e mantê-la fresca pode estar além da sua capacidade. Ele pode comer comida estragada. O fogão a gás pode ser ligado sem acender, ou panelas podem ser esquecidas até queimarem os alimentos. Má coordenação física pode levar a queimaduras ou cortes. A combinação desses problemas leva à desnutrição na pessoas com demência que moram sozinhas.

Possíveis soluções:
Remova facas amoladas e outros utensílios perigosos. Desligue o gás na chave geral ao sair. Contrate a entrega de marmita diária ou uma empregada para fazer refeições simples.

Alimentação:
A pessoa com demência pode esquecer se já comeu ou não. Alguns não querem comer e alegam que já fizeram a refeição. Outros querem começar a refeição seguinte logo após a anterior. Podem desenvolver ojeriza por alguns alimentos e desejos insaciáveis por outros. Alguns não sabem mais como comer, podem esquecer como usar talheres, e brincar com a comida, não se dando conta de que ela deve ser levada à boca. Podem ficar confusos com vários alimentos no mesmo prato. Outras pessoas sofrem de problemas físicos, não conseguindo mastigar corretamente e podem ter dificuldade para engolir, o que pode levar ao engasgo. Alguns se esquecem de beber líquidos e podem ficar desidratados.

Agitação à noite:
Muitas pessoas com demência tornam-se agitadas à noite e tumultuam a casa inteira, andando e fazendo barulho. Este pode ser um dos problemas mais cansativos para o cuidador.

Possíveis soluções:
Novamente, encontrar uma razão ajuda a aliviar o problema. Algumas das razões mais óbvias podem ser as seguintes:
A pessoa está procurando o banheiro;
Dorme demais durante o dia;
Deita muito cedo;
Necessita de menos sono;
Não está confortável;
Acorda confuso ou com medo;
Pensa que já é dia.
Faça que vá ao banheiro antes de se deitar (veja também “Usando o vaso sanitário” e “Incontinência”). Tente desencorajar longos períodos de sono durante o dia, talvez aumentando a atividade física. Acomode-a confortavelmente. Uma lâmpada fraca, acesa no quarto, pode ajudar se a pessoa acordar amedrontada. Às vezes, falar carinhosamente dará segurança e a fará dormir novamente. Se ela pensar que já é dia ou que é preciso se levantar por qualquer razão, pode ser que você tenha que concordar, pois argumentar pode levar a um transtorno maior. Uma cuidadora conta que seu marido acordava regularmente toda noite querendo sair para fazer compras. Ela sempre falava, “tudo bem, então vamos”, e andava com ele pelo quarto um pouquinho. Ele logo esquecia e voltava para a cama.

Se nada funcionar e a falta de sono prejudicar você, terá que perguntar ao seu médico sobre medicação.

Perdendo objetos e acusações de roubo:
Muitas pessoas com demência realmente esquecem onde colocaram as coisas, outras as escondem deliberadamente e depois esquecem. Em ambos os casos, seu familiar pode acusar você ou outra pessoa de ter roubado os objetos perdidos.

Possíveis soluções:
Tente não levar muito a sério as acusações. Não negue, nem discuta – quando falta o raciocínio, a conversa não leva a nada, e só causa maior transtorno. Tente descobrir se há um lugar favorito para esconder as coisas, como debaixo do colchão ou dentro de um sapato velho. Mantenha cópias de itens essenciais, como chaves ou óculos. Guarde ou mantenha trancadas as coisas de valor, dinheiro ou objetos perigosos. Habitue-se a checar o conteúdo do lixo antes de jogar fora, ou mantenha a lata de lixo fora do alcance do paciente.

Incontinência:
A incontinência ocasional é comum e a pessoa pode molhar a cama. Incontinência regular de urina e fezes é menos comum, mas mesmo o acidente ocasional pode ser um problema difícil de lidar. É vergonhoso e degradante para o paciente e desagradável para o cuidador que tem que fazer a limpeza.

Se a incontinência se tornar freqüente ou se desenvolver subitamente, procure sempre o médico pois pode have uma razão médica.
Há várias razões para a incontinência ocasional:
Esquecer-se de ir ao banheiro;
Não pode chegar ao banheiro à tempo;
Não conseguir achar o banheiro à noite;
Indisposição intestinal;

Possíveis soluções:
- Levar a pessoa regularmente ao banheiro;

- Se o banheiro for longe do local onde a pessoa passa mais tempo, deve-se adquirir uma cadeira sanitária;

- Simplifique a roupa do dia-a-dia, substituindo botões e fechos por velcro;

- Marque o caminho do banheiro com fita adesiva colorida, presa na parede ou no chão. Leve o paciente sempre antes de deitar para evitar que ele molhe a cama, também durante a noite;

- Controle a dieta. A falta de fibras pode causar prisão de ventre. Aumente o consumo de legumes, frutas e cereais integrais;

- Tente reduzir a vergonha que ele sente, adotando uma atitude natural, direcionando a atenção à tarefa de limpeza e troca de roupa, e evitando recriminações;

- Para proteger os móveis, use capas de material plastificado nas cadeiras e poltronas. Cubra o colchão com plástico;

- Calças geriátricas ou fraldas descartáveis para adultos facilitam o seu trabalho.

Delírio e alucinações:
Os delírios são idéias imaginárias que parecem ser reais para a pessoa. Quem sofre de delírio pode acreditar que realmente haja pessoas querendo matá-lo ou prejudicá-lo, ou que objetos escondidos ou perdidos foram roubados, até por membros da própria família.

Quem sofre de alucinações vê ou ouve coisas que não acontecem. O paciente pode acordar e ver figuras no pé da cama, ou ouvir parentes falecidos falando com ele.

Possíveis soluções:
Tanto delírios quanto alucinações são problemas imaginários, mas podem provocar sentimentos verdadeiros de ansiedade e pânico, e devem ser levados a sério.

Quando a pessoa estiver passando por delírio ou alucinação, não argumente com ele, nem fale que ele está enganado. Lembre-se de que isto está fora do controle do paciente. Ficar bravo ou impaciente não vai ajudar. Se o delírio for sobre um objeto desaparecido, por exemplo, tente encontrá-lo e não negar que tenha sido roubado.

Se a angustia for causada por alucinações, explique que você entende o que ele está sentindo, mas diga também que as outras pessoas não estão vendo ou ouvindo aquilo que o amedronta. Tente confortá-lo, abraçando-o ou segurando sua mão, e procure desviar a atenção para algo real dentro do ambiente.

De qualquer forma em casos de delírios ou alucinações, é sempre bom procurar o médico. Pode ser que a causa do problema seja um medicamento, ou que o problema responda a tratamento.